Músico é património de Cabo Verde e da Humanidade, defende José Maria Neves

13 Jul 2013

O primeiro-ministro cabo-verdiano considerou hoje que Bana, falecido sexta-feira à noite em Lisboa vítima de doença prolongada, projetou de tal forma Cabo Verde no mundo que se tornou "claramente" um "património" do arquipélago e da humanidade.

Músico é património de Cabo Verde e da Humanidade, defende José Maria Neves

"Bana é um grande homem, um grande cabo-verdiano e um homem desta grandeza não morre, deixa obras que viverão eternamente. Bana projetou de tal modo Cabo Verde no mundo que é claramente um património nosso e da Humanidade", disse José Maria Neves, ouvido pela Rádio de Cabo Verde (RCV).

Para José Maria Neves, a melhor homenagem que se poderá fazer ao cantor cabo-verdiano, que contava 81 anos, é trabalhar "arduamente" para elevar a Morna a Património Imaterial da Humanidade, processo que foi desencadeado em 2012 pela cantora cabo-verdiana Celina Pereira. "Mais do que um busto, Bana poderá levar o nome de uma rua, de um edifício, de um património nacional. Mas acho que a maior homenagem que lhe poderemos prestar é elevar a Morna a Património Imaterial da Humanidade", defendeu.

"Bana é um património do mundo, de Cabo Verde, e tudo o que pudermos fazer, aqui e na diáspora, para o homenagear, além da reedição das obras importantíssimas, continuarmos a trabalhar para que a Morna seja elevada a Património Imaterial da Humanidade", insistiu.

Questionado sobre o facto de haver o desejo de o corpo do "Rei da Morna" ser sepultado em Lisboa e não em Cabo Verde, José Maria Neves afirmou compreender o desejo da família, salientando que, se houver mudança de ideias, o Governo assumirá a trasladação e prestará um funeral com honras de Estado.

"Teremos de fazer as articulações com a família. Temos de ver quais eram os desejos do próprio Bana e quais são as intenções da família. Havendo o desejo e a intenção da família em que ele seja sepultado em Portugal, teremos de fazer as necessárias articulações para prestar-lhe lá, em Lisboa, uma importante ilha de Cabo Verde, as devidas homenagens", disse.

"Havendo possibilidade de trasladação para Cabo Verde, o Governo assumirá imediatamente o processo e prestar-lhe-á honras de Estado, para que todos possam render-lhe a mais vibrante homenagem que ele merece", acrescentou.

Admitindo que só muito tarde conheceu o cantor - "sou de uma geração completamente diferente" -, José Maria Neves lembrou que o conheceu em 2008, quando Bana adoeceu, tendo, de imediato, atribuído uma pensão de Estado em homenagem a todo o seu percurso e a todo o trabalho que desenvolvera.

"Antes tinha-lhe atribuído um passaporte diplomático, simbolizando a ideia de que ele era um embaixador de Cabo Verde no mundo", realçou, lembrando que, após Bana abandonar o hospital, assistiu em Lisboa a um espetáculo do cantor, ainda em recuperação.

"Foi um momento vibrante e marcante da minha vida, poder ouvir aquela voz que arrepia qualquer cabo-verdiano", concluiu José Maria Neves.