Fugir à pobreza em S. Vicente para ser estrela em Portugal

Fugir à pobreza em S. Vicente para ser estrela em Portugal

Corria o ano 1961 e tinha sido inaugurado o desejado cais acostável do Porto Grande. Bana sentia que Cabo Verde era “terra piknin” para o seu talento. Sem pais, irmãos emigrados e recentemente sem B. Leza, que tinham morrido de doênça porlongada, o músico não sentia qualquer motivação para continuar no seu país, após fracassada uma tentativa de emigrar de forma clandestina para Portugal, escondido a bordo do navio Neptuno.

Foi preciso partir de São Vicente para ter sapatos. Tinha 29 anos e pertencia na altura a uma classe bastante desfavorecida. O destino seria Dakar, Senegal.

A aventura o levaria aos primeiros anos de glória. Já em Dakar, o músico ficou em casa de amigos e conhecidos. Mais tarde, com a chegada de alguns amigos a Dakar, Bana formou o primeiro grupo que deu nome e voz: "Voz de Cabo Verde".

Em Dakar, Bana conhece Marciano Rodrigues e consegue entrar na Rádio Senegal. Começou por ajudar em várias tarefas e posteriormente passou a organizar espectáculos. Entretanto, geriu também a discoteca de um cabo-verdiano. Passados alguns meses em Dakar, Bana começava a libertar-se das dificuldades económicas.

Em 1965, depois de lançar o seu primeiro trabalho discográfico, Bana viaja para Roterdão, Holanda, agora mais seguro e confiante no seu talento. Aqui, nos estúdios da Philips, grava mais dois discos que se tornam um êxito, “Nha Terra” e “Pensamento e Segredo” com a banda "A Voz de Cabo Verde". Foi em Roterdão que nasceu a primeira Associação Cabo-Verdiana da Europa e primeira casa editora de discos cabo-verdianos, a editora Morabeza.

Em Cabo Verde escutavam-se repetidamente os discos de Bana, acompanhados pela banda Voz de Cabo Verde.


Odair Soares